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O que é a icebreaker?

 A Icebreaker é uma revista feita pela equipe do InterAntar com o intuito de traduzir e sintetizar o conteúdo de pesquisas científicas sobre a área das regiões polares, oceano e mudanças climáticas para uma linguagem acessível para qualquer pessoa que tenha interesse no assunto.

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Antártica, El Niño e as chuvas extremas no Sul do Brasil: uma história gravada nas estalagmites

Fonte: A Holocene history of extreme rainfall events in Southern Brazil. Autores: Julio Cauhy, Marcela Eduarda Della Libera, Nicolás M. Stríkis, Mathias Vuille, Isabel Tamara Pedron, Victor Azevedo, Francisco W. Cruz, Valdir F. Novello, Hubert Vonhof & Denis Scholz.

O estudo

Ao longo dos últimos anos, foi possível perceber um aumento na frequência de enchentes no Sul do Brasil. Um estudo da Nature, publicado em 14 de abril de 2026, teve como objetivo registrar esses eventos ocorridos além dos últimos séculos.

Cientistas reconstruíram a história das chuvas extremas dos últimos 7.500 anos, permitindo comparar os eventos atuais com o comportamento natural do clima ao longo do tempo.

Como não existem registros meteorológicos tão antigos, os pesquisadores recorreram a um arquivo natural do clima: as estalagmites encontradas na Caverna Malfazido, no Paraná.

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Esquema da caverna Malfazido

O QUE O ESTUDO MOSTROU?

Antártica mais fria

Maior circulação atmosférica

Mais umidade da Amazônia

Mais chuvas extremas

 Quando o verão na Antártica é mais frio, a diferença de temperatura entre a região polar e a América do Sul se intensifica. Essa diferença é responsável por levar o ar quente e úmido da Amazônia para o sul por meio do Jato de Baixo Nível (SALLJ), enquanto as frentes frias que vêm da Antártica avançam com mais força.

Como uma Estalagmite registra uma enchente?

As estalagmites crescem lentamente pela deposição de minerais transportados pela água que goteja do teto da caverna.

Quando ocorre uma enchente muito intensa, o rio invade a caverna

Esquema de como a sedimentação ocorre em estalgmites

carregando sedimentos como lama, areia e argila. Esse material fica depositado sobre a estalagmite. Com o passar do tempo, novas camadas minerais recobrem esses sedimentos, preservando cada enchente como uma marca permanente.

 Assim, as estalagmites funcionam como um arquivo natural, registrando milhares de anos de chuvas intensas.

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Como a Antártica influencia as chuvas extremas no Sul do Brasil_20260824_110518_0000.png

O que as Estalagmites nos contaram?

      Ao comparar o registro natural das estalagmites com outros indicadores climáticos, os pesquisadores identificaram uma correlação negativa entre as temperaturas de verão na Península Antártica e os eventos extremos na Região Sul do Brasil: verões mais frios na Antártica aumentam o gradiente térmico meridional, intensificando a atuação das frentes frias e o transporte de umidade da Amazônia, o que favorece chuvas mais intensas.

    Além disso, foi observada uma forte correlação positiva entre anos de El Niño moderado ou forte e o aumento da frequência de chuvas extremas ao longo do registro, evidenciando que tanto a variabilidade natural do clima quanto o aquecimento global influenciam esses eventos.

O que é o El Niño?

 Além da influência da Antártica, os pesquisadores também identificaram o papel do El Niño nos eventos extremos de chuva (ERE).

 Esse fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, está associado ao aumento da ocorrência de chuvas intensas na Região Sul do Brasil. O estudo mostrou que 67% dos eventos de chuva extrema registrados desde 1960 ocorreram durante anos de El Niño, evidenciando sua forte influência sobre esses episódios.

 O aquecimento altera a circulação atmosférica e modifica o transporte de calor e umidade em diferentes regiões do planeta.

 No Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas. 

 Ao comparar as camadas registradas nas estalagmites com a atividade do El Niño ao longo dos últimos anos, os cientistas observaram que períodos de maior intensidade ou frequência desse fenômeno coincidiram com um maior número de eventos extremos de chuva.

Esquema El niño

 Embora esteja localizada a milhares de quilômetros do Brasil, a Antártica influencia a circulação atmosférica do Hemisfério Sul. Alterações na temperatura do oceano e na extensão do gelo marinho modificam a posição dos ventos e das frentes frias, alterando o transporte de

umidade em direção ao sul da América do Sul.

 Essas conexões, conhecidas como teleconexões climáticas, ajudam a explicar por que mudanças na Antártica podem aumentar ou reduzir a frequência das chuvas extremas registradas nas estalagmites.

Por que saber disso é importante?

 Ao reconstruir 7.500 anos dessa história, os pesquisadores ampliaram o conhecimento sobre as conexões entre regiões distantes do planeta, como a Antártica, e seus impactos no clima brasileiro.

 Compreender essas relações é essencial para aprimorar modelos climáticos, tornar as previsões meteorológicas mais precisas e apoiar estratégias de prevenção e adaptação a eventos extremos.

 Em um cenário de mudanças climáticas, pesquisas como esta reforçam a importância de estudar a Antártica para entender processos que influenciam diretamente a vida e a segurança das pessoas no Brasil.

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